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As mulheres negras no mercado de trabalho da RMPA: a sobreposição de discriminações
| Content Provider | Semantic Scholar |
|---|---|
| Author | Galeazzi, Irene Maria Sassi Garcia, Lúcia |
| Copyright Year | 2011 |
| Abstract | Arelação social que define a inserção das mulheres negras na sociedade, como de resto a de todos os indivíduos, não é resultante de uma única ou principal determinação, e tampouco se exerce em um único espaço — escola, família, locais de trabalho. As relações de classe, sexo, etnia, dentre outras, organizam a totalidade das relações sociais e afetam todos os indivíduos, independentemente do espaço onde aconteçam. Em sua singularidade histórica, essas relações sociais expressam hierarquia e poder, assim como contradições, antagonismos e resistência aos determinantes das práticas sociais, num movimento permanente de mudança. No caso das mulheres negras, além dos determinantes de classe, sua inserção social traduz a sobreposição da ausência de eqüidade entre os sexos com os padrões discriminatórios a que está sujeita toda a população negra na sociedade. Essa dupla determinação potencializa mecanismos de desigualdade, colocando essas mulheres na pior posição relativa frente aos outros grupos populacionais — homens negros e não negros e mulheres não negras. No mercado de trabalho, são elas que detêm as maiores taxas de desemprego e que permanecem por mais tempo desocupadas, e, quando obtêm trabalho, lhes são reservadas ocupações de menor qualidade, status e remuneração. As mudanças que se operaram nos mercados de trabalho metropolitanos no Brasil, nos últimos 10 anos, assim como algumas conquistas que se efetivaram no bojo das lutas por eqüidade de oportunidades entre os cidadãos — as lutas das mulheres e dos afro-descendentes —, trouxeram novos contornos ao padrão de inserção das mulheres negras no mercado de trabalho. Todavia poucos dos principais indicadores do mercado de trabalho regional revelam efetivos avanços na inserção laboral dessas mulheres. De fato, em que pese a intensa incorporação de mulheres à força de trabalho ter se constituído em um dos fatos mais destacados desse período, o incremento verificado foi mais acentuado entre as mulheres não negras. Esse movimento, apesar de provocar uma aproximação das taxas de participação de negras e não negras, não alterou o fato da maior presença relativa das afro-descendentes no mercado de trabalho. Essa maior presença relativa, no entanto, não tem garantido a essas mulheres condições mais favoráveis de inserção laboral. A exposição aos efeitos da dupla discriminação — de sexo e de cor — levou as mulheres negras a se constituírem no segmento mais exposto ao desemprego. O crescimento do desemprego verificado ao longo dos últimos 10 anos, embora tenha atingido todos os segmentos presentes no mercado de trabalho, foi especialmente nefasto às mulheres negras. Estas, que já detinham as taxas de desemprego mais elevadas, viram sua taxa média sofrer uma elevação de 38,6%, ampliando ainda mais a distância em relação às taxas específicas dos demais grupos. O aprofundamento do desemprego entre as trabalhadoras negras apresentou como reverso uma diminuição em sua já pouco expressiva presença no contingente de ocupados. Adicionalmente, os impactos devastadores das mudanças operadas no mercado de trabalho regional ampliaram sobremaneira a presença de trabalhadoras negras inseridas em ocupações mais precarizadas e menos protegidas — nessa condição, encontrava-se, aproximadamente, a metade dessas trabalhadoras em 2002. |
| File Format | PDF HTM / HTML |
| Volume Number | 3 |
| Alternate Webpage(s) | https://revistas.fee.tche.br/index.php/mulheretrabalho/article/download/2691/3013 |
| Language | English |
| Access Restriction | Open |
| Content Type | Text |
| Resource Type | Article |