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Ciência e democracia nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP): um cruzamento de baixa intensidade
| Content Provider | Semantic Scholar |
|---|---|
| Author | Varela, Odair Bartolomeu |
| Copyright Year | 2004 |
| Abstract | Existe um consenso geral, mesmo assim polemico, de que com inicio do colonialismo europeu no seculo XV, se comeca nao so a experiencia de organizacao colonial do mundo como - simultaneamente - a tentativa de constituicao colonial dos saberes, das linguagens, das memorias e do imaginario. Da-se inicio ao grande processo que culminara nos seculos XVIII e XIX na qual, pela primeira vez, se organiza a totalidade do espaco e tempo - todas as culturas, povos e territorios do planeta, presentes e passados - referencialmente numa grande narrativa universal. Nesta a Europa e - ou foi sempre - simultaneamente o centro geografico e o culminar do movimento temporal. Nesse sentido, as ciencias modernas (naturais ou exatas, humanas e sociais) tiveram como substracto as novas condicoes que se criaram quando o modelo liberal de organizacao da propriedade, do trabalho e do tempo deixa de aparecer como uma modalidade civilizatoria em luta com outra(s) que conservam o seu vigor, e adquire a hegemonia como a unica forma de vida possivel. A constituicao das disciplinas das ciencias se da neste contexto historico-cultural do imaginario que impregna o ambiente intelectual. A constituicao historica das disciplinas cientificas que se produziu nas academias ocidentais, foi, assim, uma construcao eurocentrica, que pensa e organiza a totalidade do tempo e do espaco a partir da sua experiencia para a toda humanidade, colocando a sua especificidade historico-cultural como padrao de referencia superior e universal. Mas e mais do que isso. Este meta relato da modernidade foi e e um dispositivo de conhecimento colonial e imperial em que se articula essa totalidade de povos, tempo e espaco como parte da organizacao colonial/imperial do mundo. Desta forma, as sociedades ocidentais modernas se constituiram, presumivelmente, na imagem de futuro para o resto do mundo. E assente tambem que em todo mundo ja ex-colonial, particularmente nos PALOP, as ciencias modernas, particularmente as ciencias sociais continuaram a servir, por razoes que abordo durante o presente ensaio, mais para o estabelecimento de contrastes com a experiencia historico-cultural universal (normal) da Europa (ferramentas neste sentido de identificacao de carencias e deficiencias que tem de ser superadas) do que para o conhecimento dessas sociedades a partir das suas especificidades historico-culturais. Isso mostra-nos que a imagem acima referida continua a ser exportada, ou seja, o ocidente como modo de vida a qual o resto do mundo chegaria naturalmente se nao fossem os obstaculos representados pela sua composicao racial inadequada, sua cultura arcaica ou tradicional, seus preconceitos magicos e religiosos ou, mais recentemente, pelo populismo de uns Estados excessivamente intervencionistas que nao respeitam a liberdade do mercado. Sendo estes Estados considerados perifericos ao nivel da ciencia, as distâncias reconheciveis entre indicadores e experiencias em relacao dos paises do centro sao reduzidos a um problema de atraso, resoluvel com tempo recursos e esforco colectivo. E proposito desse ensaio fazer uma retrospectiva critica, de como esse "trauma" ou "heranca" da colonizacao tem sido, por um lado, explorado para aumentar o fosso entre o Norte e Sul, servindo, actualmente, os interesses da globalizacao neoliberal e dos paises que o lideram, e, por outro lado, de como a "exportacao" da democracia representativa para o Sul tem funcionado como suporte legitimador dessa exploracao. Seguidamente, vai-se tentar fazer um exercicio desmistificador do discurso da ciencia e da democracia para de seguida apresentar uma visao critica da sua associacao a globalizacao neoliberal. Sendo que este ensaio se incide sobre o caso particular dos PALOP, pretendo adicionar a comunicacao final, os dados recolhidos dum pequeno estudo de caso que fiz em Coimbra em 2003, em que pretendi vislumbrar como e que estudantes originarios dos PALOP, que se encontram nessa cidade inseridos programas de pos-graduacao ou de projectos de investigacao, encaram, entre outros aspectos, a probabilidade de estarem a contribuir para perpetuar o dominio dos cânones modernos da ciencia e da democracia ou de, pelo contrario, estarem a contribuir para o descerramento e visibilidade de outras ciencias, conhecimentos e formas de organizacao cultural e politica, imbuidas de grande potencial emancipatorio. Este estudo mirou englobar tambem a posicao de alguns dos centros de investigacao desta cidade universitaria, sobre a politica que tem seguido em relacao a estes estudantes. Por fim, se possivel, lancar pistas ou prospectivas para uma(s) ciencia(s) e democracia(s) de alta intensidade nos PALOP e no hemisferio Sul em geral. |
| Starting Page | 145 |
| Ending Page | 145 |
| Page Count | 1 |
| File Format | PDF HTM / HTML |
| Alternate Webpage(s) | https://ces.uc.pt/lab2004/pdfs/OdairVarela.pdf |
| Language | English |
| Access Restriction | Open |
| Content Type | Text |
| Resource Type | Article |